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    Inteligência Artificial: jogadores de tênis gamificados e cobranças de falta perfeitas: o que os algoritmos podem fazer agora no esporte

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    Desde a aparição do renomado ChatGPT, as conversas sobre inteligência artificial atingiram o ponto de saturação habitual que os assuntos que se tornam tendência costumam gerar, sem deixar escapatória. No esporte, o uso da inteligência artificial está longe de ser novidade e muito menos uma moda. Alguns casos mostram sinais de evolução e aperfeiçoamento de sistemas que servem para melhorar os diferentes processos que envolvem clubes e organizações esportivas.

    A MLS anunciou um acordo com a empresa Ai.io para a utilização de um aplicativo móvel que permitirá a todos os times dessa liga fazer um rastreamento massivo de talentos que poderiam ser considerados para um teste nesses clubes. A solução se chama aiScout e é um software que pode analisar habilidades técnicas e físicas a partir de um smartphone para avaliar as condições de um futuro jogador de futebol.

    O aplicativo trabalha com rastreamento em 3D dos desportistas, impulsionado por inteligência artificial visual – visão computacional -, que captura as ações do jogo de acordo com exercícios predeterminados pelo sistema. Os algoritmos analisam o nível de eficácia dos jogadores. A MLS lançará este sistema em dezembro de 2023 para um aplicativo que já tem vínculos com Chelsea e Burnley no futebol inglês. A NBA já tinha uma ferramenta similar com HomeCourt, uma solução na qual decidiu investir para ampliar sua base de dados de jogadores e fãs que sonham em ser detectados por algum olheiro das franquias.

    A captura e análise de movimentos que os algoritmos podem executar para colaborar com a evolução dos desportistas é uma tendência crescente. A Globant, empresa argentina que é parceira tecnológica da LaLiga Tech, da FIFA e do Los Angeles Clippers, apresentou durante a Copa do Mundo de Qatar 2022 uma solução chamada “The Perfect Shot”, que permite analisar o modo de execução de um chute livre para dar como resultado um coeficiente que indique o quão próximo está o batedor de seu “chute livre perfeito”. Os algoritmos foram combinados com análises biomecânicas que contrastavam mais de 100 horas de arquivos de grandes especialistas em chutes livres.

    O rastreamento das ações de jogo, além de funcionar com capturas específicas com câmeras e smartphones, também encontra um novo ponto de evolução nos vídeos das transmissões televisivas. Esses “feeds” de TV servem para que os algoritmos revelem situações do desenvolvimento de partidas que não estão à superfície e que fornecem dados técnicos, táticos e físicos de uma partida.

    A empresa SkillCorner, que analisa partidas de futebol a partir das transmissões dos jogos que qualquer fã assiste pela TV, lançou uma nova solução chamada Game Intelligence que permite, por exemplo, quantificar não apenas como uma equipe pressiona quando quer recuperar a bola, mas também como o detentor da bola aguenta essa pressão.

    Reproduzir vídeo

    Na mesma linha, pesquisadores das universidades de Stanford e Toronto, juntamente com a Nvidia, uma empresa de computação com grande influência na indústria de jogos eletrônicos, apresentaram um artigo onde tenistas simulados reproduzem instâncias do jogo que foram retiradas de partidas transmitidas pelo The Tennis Channel, onde atuavam Nadal, Federer, Djokovic, entre outros.

    Esses tenistas gamificados, vistos na tela como se fossem efetivamente um videogame, podem reproduzir o estilo de jogo das grandes estrelas do tênis, resolver novas situações e aprimorar a qualidade de seu tênis com o aprendizado constante dos algoritmos.

    A inteligência artificial no esporte serve para conhecer mais detalhadamente os jogadores reais e inventar novos mundos esportivos que ainda não sabemos como serão.

    Por: Marcelo Gantman
    PARA LA NACIÓN

    Extraído de: www.lanacion.com.ar

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